O disco
ODDINARY é o mini-álbum que o Stray Kids lançou em 18 de março de 2022. Traz sete faixas, e a faixa-título é ‘MANIAC’. Veio quatro meses depois de Christmas EveL, e é o primeiro mini-álbum do grupo desde Clé : LEVANTER, de dezembro de 2019.
A apresentação do álbum publicada no Bugs conta que o nome junta ‘Odd’, de estranho, com ‘Ordinary’, de comum, e que ele carrega a mensagem de que todas as pessoas comuns têm algo de estranho — ou seja, de que o estranho é justamente o comum. O mesmo texto apresenta a faixa-título ‘MANIAC’ como uma canção que assenta um refrão viciante sobre uma produção ousada, e diz que a letra pede a quem ouve que não se deixe prender ao molde decidido pelo mundo e mostre quem de fato é. O 3RACHA, a equipe de produção do próprio grupo, trabalhou em todas as faixas.
A crítica
A Tássia Assis, da NME, resenhou o disco cinco dias depois do lançamento. Ela escreveu que o que faz o grupo especial não está só no fato de produzirem eles mesmos a maior parte do repertório, nem na performance, mas talvez “no jeito como estão sempre se questionando e depois devolvem esse processo para a gente como um espelho”; e fechou dizendo que, “embora hoje em dia eles digam que não passam de ‘Oddinary’, este mini-álbum é um reflexo da paixão, da sagacidade e do crescimento fora do comum deles”, “um passo elegante para um grupo que, tomara, nunca se canse de levantar perguntas”.
A Yemi, do Idology, escreveu na coluna mensal de álbuns da revista referente a março de 2022 que este é “um álbum em que se destaca a desenvoltura que vem naturalmente com a carreira”. Da faixa-título ela anotou que, “comparada com os discos anteriores, que eram só descarga, ela mostra um clima relativamente flexível; a energia forte que é própria do grupo continua ali, mas o que me impressionou foi eles já terem folga o bastante para tentar dosá-la”. E fechou dizendo que, “por terem feito um trabalho que reúne bem os pontos fortes do time às vésperas de ampliarem o terreno em que atuam, a gente acaba prevendo um futuro luminoso para eles”.
A Billboard colocou o disco na sua seleção de melhores álbuns de K-pop daquele ano. O Jeff Benjamin escreveu que o álbum “cumpre a mensagem de perceber como ‘comum’ aquilo que se considera ‘estranho’, num trabalho coeso e acolhedor”, e que ali o grupo “soa mais seguro de si do que nunca”: a ambição e a experimentação de ‘MANIAC’ e da faixa de abertura se equilibram com a contenção das faixas de sub-unidade. Na lista de melhores álbuns do primeiro semestre do mesmo veículo, o Jason Lipshutz pôs o disco na 42ª posição e escreveu que o sucesso comercial “não deve ofuscar a conquista artística deste trabalho de sete faixas”, porque “cada canção aterrissa com uma intensidade deslumbrante”.
Entre as faixas
A faixa que três das resenhas puseram à frente é a de abertura, ‘Venom’ — o título em inglês que a gravadora deu a ‘거미줄’, que em coreano quer dizer teia de aranha. O Lipshutz descreveu a batida dela como “um deslizar eletrônico que se enrola”, e a pôs ao lado dos “exercícios vocais sem fôlego de ‘Freeze’”, como a gravadora chama ‘땡’. O Benjamin também chamou a mesma faixa de “abertura de trap em disparada”. A Assis escreveu que a canção “escorre como uma aranha tecendo a teia”, e leu o grupo, que costuma ser o que sai e conquista, se rendendo aqui a uma força maior que a sua.
Sobre ‘Muddy Water’, a Assis escreveu que a faixa de encerramento, feita pelos rappers do grupo, “é o destaque absoluto de ODDINARY”, e que sobre uma melodia jazzística de hip-hop old-school os quatro mostram “alguns dos melhores versos que já fizeram”. O Benjamin anotou que a mesma faixa “encerra o conjunto e segura de vez a mensagem do disco, o compromisso de mudar as normas ‘turvas’ de agora e limpá-las para um dia melhor”. Das duas faixas de sub-unidade, a Assis escreveu que ‘Lonely St.’ retoma o veio melódico dos primeiros anos do grupo com guitarras grunge leves e palmas, e que ‘Waiting For Us’ — o título em inglês da gravadora para ‘피어난다’, que em coreano diz que algo desabrocha — emenda com um rock suave e “dá o centro do palco às vozes que se elevam”. O Benjamin apontou o mesmo par como os destaques do disco, descrevendo ‘Lonely St.’ como “um rock-pop melancólico sobre a sensação de estar perdido” e ‘Waiting For Us’ como “uma promessa de ficarem juntos até dias melhores”.
Os números
O The Korea Herald, citando a Yonhap, informou que o álbum entrou em primeiro lugar na Billboard 200 datada de 2 de abril de 2022, o que fez do Stray Kids o terceiro artista de K-pop a chegar ao topo daquela parada. Segundo a mesma reportagem, aquela foi a primeira vez que o grupo entrou na parada, e ele já entrou no topo; o disco registrou 110 mil unidades equivalentes de álbum nos Estados Unidos na semana de lançamento e, pela contagem da gravadora, teve vendas da primeira semana de 853 mil cópias.